Uma nota sobre o voto de Bolsonaro

Quando você pensa que a situação atingiu o ponto máximo de declínio, vem uma nova situação e te mostra que sempre é possível cair um pouco mais. Foi o que aconteceu no último domingo.

Bolsonaro, deputado pelo PSC, homenageou a figura mais reprovável da era militar durante o pronunciamento do seu voto na sessão que decidiu sobre o impedimento da presidente Dilma. O Deputado homenageou o torturador que ficou conhecido pelo terror que imprimiu em suas vítimas.

Isto não é algo para ser lamentado apenas. É algo para ser refletido. É sintomático que um deputado federal, que deveria zelar pela democracia e pelo direito do cidadão evoque o nome de quem entrou para a história pela violência que cometeu e que partiu dessa terra sem ser punido. Morreu em um hospital.

Particularmente, eu entendo que o partido deveria, ou mudar o seu nome e arrancar a sigla “Cristão” de sua legenda, ou expulsar essa figura abjeta do partido.

Mas, como o conceito de cristianismo de hoje está bem distante do ideal de amor e perdão anunciado por Jesus Cristo, tenho certeza que nenhuma das hipóteses acontecerá. Pior ainda, provavelmente, ele sairá como candidato a presidente pela legenda e, talvez, como possível símbolo dessa nova geração.

Aliás, fica a dica para esta nova geração: olhe a biografia de Bolsonaro. Vejam quando ele ingressou na vida pública, quantos projetos ele apresentou ao longo de sua carreira pública, quantos destes projetos foram aprovados e que benefícios trouxeram para a nação (e não apenas para um segmento da nação). Pesquisem também sobre o patrimônio do deputado, se é ou não condizente com os seus ganhos.

Enfim, apenas registro aqui, a minha indignação pessoal ao voto de Bolsonaro. Homenagear o torturador foi a maior cusparada que alguém já deu no rosto de milhares de brasileiros(as) que sofreram durante o regime militar. Aliás, ele não cuspiu apenas no rosto de quem foi torturado ou morto durante este período. Ele atingiu a face do cidadão de bem, que deseja construir um Brasil olhando para o futuro, olhando para o passado apenas para ver de onde saiu e para onde não deseja mais voltar.

Registro também, minha indignação ao partido PSC e minha tristeza pelos correligionários do partido por não darem nenhum parecer, nenhuma nota sobre o voto do deputado e sua espúria homenagem. Vejo muita gente boa e querida se filiando a este partido, que se intitula cristão, mas que na prática, age radicalmente contra os princípios de solidariedade, de amor, de justiça social e de igualdade ensinados por Jesus.

Finalmente, que a história faça justiça e se encarregue de apresentar os personagens como eles verdadeiramente são. E Bolsonaro, apensar de Messias, não é bom e muito menos, salvador.

5 comentários em: “Uma nota sobre o voto de Bolsonaro

  1. Pelo que vi no voto de Bolsonaro ele fez uma chamada sátira, pode não ter sido algo correto, mas quando se fala em Cristão, minha pergunta é Será que existe realmente algum seguidor de Cristo tal como aparecem nos evangelhos? Que fez ou faz tudo que ele ensinou? Que não se deve brigar, que deve dar outra face? Que não se deve julgar? Que deveria vender tudo que tem e dar aos pobres? Claro que existem muitos contextos, Mas minha indagação vem de um Nobel de 1950 chamado Bertrand Russell. Aí me pergunto será que antes de julgar alguém, posso me chamar de cristão também? Fica aí minha dúvida.

    1. Olá Vladimir!! Obrigado por participar!!! Você apresenta muitas indagações e vou tentar separar e comentar separadamente.
      1) Sobre a existência de cristãos tal como aparecem nos evangelhos: Penso que sim. Vejo Cristo como o molde, o modelo, o tipo (usando uma linguagem paulina) ao qual nós vamos nos moldando. Então sim, existem cristãos. Nós estamos no processo de transformação, mas procuramos segui-lo.
      2) Sobre a questão do julgamento: o único momento no texto que pode ser considerado um julgamento, da minha parte, sobre o Bolsonaro, é quando menciono a palavra “abjeto”. Que significa literalmente, baixo ou característica daquilo que é desprezível. Bem, estou julgando a atitude dele de homenagear um torturador, um homem que enfiava ratos na vagina de suas vítimas. Se isto não for desprezível, acredito que não sei o que mais se classifica nesta categoria.
      3) Finalmente, sobre a possibilidade de ser sátira. Acho pouco provável. Principalmente pelo histórico dele de defender o regime militar. E isso ele nunca escondeu.

      Bem, mais uma vez, obrigado por ter se dado ao trabalho de ler e comentar. És sempre bem vindo. O diálogo e a divergência de opiniões além de democrático, é saudável!!

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