Desafios aos cristãos do século XXI – José Comblin

COMBLIN, Desafios aos cristãos do século XXI. 4ª. Edição. São Paulo: Paulus, 2011.

José Comblin nasceu em Bruxelas, na Bélgica, mas desenvolveu seu sacerdócio como missionário na América Latina. Em solo brasileiro, desempenhou papel importante na reflexão teológica, tornando-se um dos grandes nomes da Teologia da Libertação. É praticamente impossível refletir sobre Missões Urbanas e Teologia Prática sem passar pelas reflexões de Comblin. Merece destaque o seu trabalho na formação de lideranças populares nas comunidades por onde passou. Comblin faleceu no ano de 2011.

No livro, “Desafios aos cristãos do século XXI”, Comblin aborda o distanciamento entre Teoria e Prática existente dentro do segmento católico que optou por estar ao lado dos pobres. O livro está dividido em duas partes principais. Na primeira, o autor faz uma análise sobre a presença da igreja no mundo dos excluídos. E, na segunda parte, Comblin apresenta os desafios aos cristãos do século XXI.

Comblin critica o distanciamento da igreja em relação aos excluídos. Para o autor, a igreja fala muito sobre os pobres, os excluídos. No entanto, sua atuação ainda permanece apenas no nível do discurso, não sendo evidenciada na prática. Para o autor, infelizmente, as ações foram significativas no passado. Mas com o passar do tempo, infelizmente, estão deixando de exercer a mesma influência de outrora. O mundo dos excluídos permanece sem a presença da igreja. Os segmentos que alcançaram a inclusão deixaram de continuar na luta por aqueles que continuam excluídos e marginalizados.

A igreja precisa abandonar a teoria, o discurso e encontrar meios para estar mais presente no mundo dos excluídos. Não basta proclamar uma mensagem de uma nova sociedade. Para o autor, “o consolo do mundo futuro não basta. As ideologias socialistas prometeram um mundo futuro que nunca chegou. O que nos preocupa, objeto da evangelização, é o mundo presente tal como é. O que dizer e o que fazer em relação a este mundo presente”? (p. 15).

Na segunda parte do livro, Comblin apresenta os desafios para os cristãos do século XXI. Sua reflexão parte da convicção de que, no Brasil, foi implantado um modelo de sociedade, centrado mais sobre a especulação financeira, que sobre o trabalho. Um modelo tipicamente estadunidense. Que acentua as desigualdades e assegura a manutenção dos direitos da aristocracia.

Nesta sociedade, o trabalha para a nova classe baixa, tende a ficar cada vez mais restrito à prestação de serviço: empregadas domésticas, lavandeiras, babás etc. “A característica de todos esses empregos é que não oferecem segurança nem garantia para o futuro” (p. 36). Outro desafio é a dignidade humana. “Esta situação de instabilidade faz com que as pessoas se sintam sem valor, tal qual peças que são tiradas sem problema quando não servem mais. Sentem-se supérfluas e inúteis” (p.38).

Este quadro de insegurança promove complicações também dentro da estrutura familiar. “A desintegração da família é, antes de mais nada, o resultado da evolução social” (p. 42). E, finalmente, no sentido do serviço. Para Comblin, hoje não há escravos. O que existe “são servidores juridicamente livres, mas totalmente dependentes daqueles que lhes podem dar subsistência” (p. 46). No entanto, é preciso trabalhar arduamente para “humanizar estas relações desiguais” (p. 47).

Superar este enorme distanciamento entre a Teoria e a Prática, entre o Discurso e a Ação da igreja configura-se no maior desafio para os cristãos do século XXI.

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