Ressentimento

Um amigo, certa vez, escreveu uma linda reflexão sobre o ressentimento. Tentei encontrá-la, porém não consegui. Mas, lembro-me que ele fez uma brincadeira com a palavra destacando o seu principal significado: ressentimento é sentir novamente (re+sentir) a dor daquela ferida que um dia foi aberta.

Assim, quanto mais alimentamos o ressentimento, tanto mais alimentamos a dor que gostaríamos de não mais sentir.

Não estou propondo um caminho simplista para a questão do sofrimento. Até porque, tenho para mim que a dor precisa ser sentida, vivida e não anestesiada como alguns preferem. Seja a dor do luto, do término de uma paixão, do fracasso, da tristeza pelas feridas que causamos, bem como, da mágoa pelas feridas que fizeram em nós.

Dor é dor. E não há como mensurar a dor alheia ou determinar um tempo de superação baseado em experiências pessoais.

É a dor sentida e superada que nos conduz à maturidade emocional e espiritual. Eu sei que isto soa estranho, principalmente em tempos de negação do sofrimento ou de triunfalismo espiritual amplamente difundido nos púlpitos de algumas igrejas, mas é um ensinamento fundamentado nas Escrituras e na própria vida.

O dilema que se impõe, para todos nós, quando somos machucados é se trilharemos a difícil escalada da maturidade ou o arenoso caminho do ressentimento.

A escalada rumo à maturidade espiritual requer dedicação, disciplina, perseverança, autoconhecimento e, acima de tudo, o abandono de todo peso desnecessário. Mas ao final da subida conquistamos uma visão panorâmica da vida.

Perdoar (a si mesmo e aos outros) é libertar-se do peso do desnecessário, é abandonar a trilha do ressentimento. Pois, como escreveu Nietzsche: nenhuma chama nos devorará tão rapidamente quanto os afetos do ressentimento (Ecce Homo).

 

 

Fraternalmente

 

Fábio Bauab

 

12/02/15 – Brusque

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