Teologia do Sofrimento Humano e o Cuidado Pastoral

A questão do sofrimento humano é extremamente relevante para nosso atual contexto evangélico brasileiro e latino-americano. Tendo em vista a proliferação cada vez maior de ensinamentos não fundamentados nas Escrituras Sagradas, e muito menos, baseados uma reflexão teológica séria. Uma análise um pouco mais cuidadosa das Escrituras nos permite relacionar o sofrimento a dois temas sem maiores complicações, e um terceiro um pouco mais delicado.

Segue abaixo uma pequena síntese de como percebo o tema a partir das Escrituras Sagradas. O meu objetivo não é uma investigação teológica, mas sim, uma reflexão pastoral sobre a Teologia do Sofrimento Humano.

Os cinco primeiros livros do Antigo Testamento e toda a Historiografia Deuteronomista nos proporcionam uma visão do sofrimento como consequência pela transgressão da Lei. A transgressão gera o pecado que por sua vez gera o sofrimento. Esta é a visão predominante nesta fase do judaísmo e, bem provável, em muitos rabinos nos tempos de Jesus. Basta lembrarmos o diálogo de Jesus com os discípulos diante do cego: “mestre, quem pecou para que nascesse assim?”

Esta visão deuteronomista sobre o sofrimento também está presente nos discursos dos amigos de Jó. Sendo também, amplamente replicado, em nossos dias, no segmento neopentecostal (seja de linha protestante, evangelical ou católico).

Mas o Livro de Jó, e outras partes da literatura sapiencial, nos beneficiam com outra perspectiva acerca do sofrimento. Tanto aqui, como em alguns Salmos, percebemos que o sofrimento é descrito como uma realidade inerente à própria existência humana. Em alguns casos, não há nenhuma causa específica. Ele apenas surge, como um personagem indesejado em nossa história.

A terceira abordagem é um pouco mais delicada. Ela nos faz olhar para o sofrimento não como vontade divina. Mas sim, como meio por meio do qual se manifesta a Graça e o Amor divinos. É nesta perspectiva que eu entendo os ensinamentos de Jesus e de Paulo sobre sofrimento e espiritualidade.

Esta pequena abordagem, acredito eu, deve nos induzir a meditarmos sobre a maneira como lidamos com aquele que sofrem. Em alguns casos, uma leitura errada da situação pode impor ao convalescido uma carga ainda maior, ao invés de aliviá-la. Tratar o sofrimento como consequência, exclusivamente, do pecado é regressar ao pensamento judaico.

Precisamos evoluir, precisamos compreender o ser humano em suas necessidades emocionais, culturais, materiais etc.. Precisamos compreender o ser humano em sua complexa rede de relacionamentos (inter ou intrapessoal). Precisamos compreender o ser humano como de fato ele é se desejamos oferecer um cuidado pastoral melhor, mais humano, mais cristão.

 

Fraternalmente

 

Fábio Bauab

 

Um comentário em: “Teologia do Sofrimento Humano e o Cuidado Pastoral

  1. Existem vários fatores que podem influenciar na maneira como cada um reage aos problemas que a vida propõe. Por isso é bom que tenhamos cautela ao fazer qualquer análise sobre a capacidade de cada um enfrentar os seus desafios. Tendemos a subjugar todo aquele que não souber lidar com seus problemas da mesma maneira que nós faríamos. A maneira como crescemos e fomos educados, por exemplo, fazem toda a diferença na hora de enfrentar algum gigante que venha se levantar contra nós, por isso que melhor que fazer juízo de valor é estender a mão e oferecer ajuda a quem quer que for, porque assim creio que essa também é a vontade de Deus para aqueles que o seguem.
    Muito bom esse assunto, hein!

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