Igreja de quem, igreja pra quem?

Há um bom tempo atrás (2010) tirei a foto ao lado enquanto passeava pela cidade. Não sei o seu nome, seu endereço, nem sua história… Enfim, é um desconhecido, um anônimo. Assim como tantos outros desconhecidos e anônimos que cruzam o nosso caminho todas as semanas.

Na ocasião ele estava sentado à porta de um estabelecimento comercial, confeccionando pulseiras com linhas. Provavelmente, para vender e poder comprar alguma comida. Nunca mais o vi, nem o encontrei pela cidade. Não sei o seu paradeiro… Deus o sabe.

Hoje, vasculhando meus arquivos, encontrei esta foto e pensei na Missão da Igreja e nas ações das igrejas. E infelizmente, as ações das igrejas não andam cooperando para a Missão da Igreja.

O que foi que Jesus ordenou para os discípulos que nós, após mais de 2000 anos, ainda não entendemos direito? Será que a nossa vida cristã, nossa espiritualidade cristã, não está por demais desarraigadas da vida e centralizadas nos templos e nas doutrinas morais? Será que não estamos nos tornando tão religiosos quantos os religiosos que Jesus chamou de sepulcros caiados e que foram alertados para o fato de que publicanos e meretrizes os precederiam no Reino dos Céus (Mt 21:31).

Enquanto as igrejas se preocupam primordialmente com a questão moral, milhares de pessoas vivem à margem da sociedade. São homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças tentando sobrevier, diariamente, com centavos que recebem aqui e acolá. Sem emprego, sem seguro, sem plano de saúde, sem comida, sem perspectiva de futuro e sem direito a dignidade. E o pior de tudo, sem ter quem lute por eles.

Será que este quadro também não deveria nos comover gerando em nós indignação?

Penso comigo, o que aconteceria se canalizássemos o mesmo vigor, a mesma força de mobilização social que agora utilizamos na defesa da Moral Cristã, para o combate à desigualdade social, a luta pelos direitos dos marginalizados, oprimidos e injustiçados?

O que aconteceria se a marcha para Jesus se transformasse em um clamor pela vida, um grito de socorro por aqueles que não têm voz alguma na sociedade? Será que não vivenciaríamos um verdadeiro sopro do Espírito de Deus sobre nós? Um verdadeiro avivamento? Uma revolução social e espiritual?

É apenas uma reflexão…

As ações das igrejas locais precisam convergir para a Missão da Igreja de Cristo.

Fraternalmente

Fábio Bauab.

Junho de 2015

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